Saiba mais sobre o uso de cookies

ATENÇÃO ! Este site utiliza cookies. Ao navegar no site estará a consentir a sua utilização.

Quando a nossa criança tem ansiedade... PARA PERCEBER E SABER AGIR

Quando a nossa criança tem ansiedade... PARA PERCEBER E SABER AGIR
21:41:59 18-08-2015 Sentido de Si Blogue

Descrição

Um relato elucidador que me pareceu útil para o(a) apoiar a melhor compreender a vivência da ansiedade por parte das crianças. Com um linguagem simples e prática o texto seguinte é um relato adaptado de uma história vivida. 

“Quando tinha 6 anos de idade não queria dormir com a luz apagada, por isso tinha uma lanterna que queria colocar sempre em cima da mesinha de cabeceira, mas os meus pais não deixavam.

Acreditava que um ladrão podia entrar no meu quarto e fazer-me mal. Quando ouvisse ruído, com a lanterna, podia ver se o ruído era no meu quarto, se fosse chamar ajuda. Mas, os meus pais  disseram sempreque não podia pensar nisso e ter a preocupação de ter a lanterna ao meu lado. Eles não percebiam a minha «preocupação excessiva». Não sabiam como agir com a minha «ansiedade». Não entendiam o porquê de tal preocupação, até porque nunca tínhamos sido assaltados em casa, ou num outro sítio qualquer.  Não encontravam nenhuma razão lógica para o meu «medo». Até já tinham cedido ao meu pedido de dormir no andar de cima do meu beliche, mas acham demais dormir com uma lanterna. 

Quem disse que eu estava com "ansiedade?" Os meus pais eram brilhantes na forma como me educavam, mas não sabiam que a «ansiedade» não tinha de ser lógica! Na verdade, normalmente não é! Nem eu, na altura, sabia. Para mim, e para os meus pais, eu era uma criança excessivamente preocupada. Nenhum de nós sabia que aqueles pensamentos, na verdade, eram despertados pela emoção «medo» e que tinham o «poder» de ativar uma resposta «anormal» do meu sistema nervoso central. Daí as dores de barriga e até alguns picos de febre sem justificação.  

Os meus pais, a dada altura, após tentarem justificar de muitas maneiras que não havia nenhuma razão para ter a lanterna ao meu lado, e que ninguém ia entrar durante a noite em nossa casa, apelavam à minha «lógica». Mas incapaz de entender o que eles diziam, ou seja, na altura, sem conseguir que a «lógica» superasse o medo, via os meus pais frustrados em não me conseguir ajudar…

Conforme já disse, os meus pais sempre foram incansáveis ao tentar apoiar-me, mas passaram-se décadas até, juntos, encontrarmos o apoio certo.  

Hoje sei que:

1. Quando a minha mãe me disse: "Vai ficar tudo bem. Confie em mim." Desejava ter conseguido dizer: Sei que estás a tentar ajudar-me, a fazer-me sentir melhor, mas a minha «mente» está-me a dizer o contrário. Não sei o que é «tudo bem». Além disso, o meu corpo parece «obedecer» aos meus pensamentos porque o meu coração está acelerado, as minhas palmas das mãos estão suadas, e a minha barriga está desconfortável. Mesmo as suas palavras amorosas não conseguem controlar o que «acontece dentro de mim».  

2. Quando o meu pai me disse: "Não há nada a temer." Desejava ter explicado: "Pai, lembras-te da primeira vez que convidas-te a mãe para sair? Do teu primeiro dia de no novo emprego? Ou do momento em que tiveste um acidente de carro? Experimentas-te o medo real. O meu medo também é real.  

3. Quando a minha mãe me disse: "Deixa-me dizer-lhe todas as razões para que não estares preocupado. Gostaria de ter dito: Sei que o que estás a dizer faz sentido, mas é difícil pensar clara e logicamente neste momento. Tenho um monte de sentimentos que me dominam. É realmente difícil pensar claramente.”

 

O texto acima foi construído a partir da Notícia de 9/03/2015 no Yahoo Parenting (traduzido para português e adaptado).

 

Ainda com base na notícia acrescento a seguinte importante informação:

 

Que informação pode ser útil para compreender melhor a ansiedade (na infância)?

1.       Os estímulos da nossa vivência externa potenciadores de perigo despertam no sistema nervoso central um mecanismo de proteção que nos faz fugir ou lutar. Este mecanismo denomina-se sistema de alerta, é saudável, mas que a «ansiedade» imita! A ansiedade surge perante estímulos reais externos, ou devido a estímulos internos (emoções, pensamentos). Este mecanismo, tanto o normal (alerta, justificado), como o «anormal» (ansiedade não justificada) ativa a segregação de um conjunto de elementos bioquímicos que «impede» um pensamento racional, que a criança pense logicamente.

O QUE FAZER? Apoie a recuperação de um equilíbrio bioquímico do seu filho, acalme-o. Ajude-o a acalmar-se com uma respiração profunda e lenta. Isto voltará a equilibrar bioquimicamente o corpo da criança, retomando-se um funcionamento normal, mais sereno.

2.       A emoção medo ativa o «alarme» no corpo da criança, o tal alarme saudável que existe para proteger a criança de um perigo real. Porém, a emoção medo pode existir de forma injustificada (não existe perigo real) e o alarme que é ativado é o mesmo perante um perigo real. Esta imitação de um perigo real é tão bem construída pela nossa mente que até a nossa perceção (processo de interpretação da realidade exterior através dos órgãos dos sentidos; apreensão da realidade exterior e sua interpretação) pode ser distorcida e, por exemplo, um tronco pode parecer (ser lido pelo cérebro da criança) como uma cobra, por exemplo.

O QUE FAZER? Valide as emoções da sua criança. Por exemplo, “Vejo que estás assustado, compreendo porque também me assusto, tenho medo. Principalmente quando era da tua idade também sentia medo”. Era algo muito mau e difícil de lidar.”

 

Acredito que a informação supra citada possa-o(a) ter deixado mais informado e confortável. Assim espero.

Quando a situação de ansiedade da sua criança for difícil de lidar, nesse caso procure ajuda profissional. Mas tenha calma, há forma de lidar com a ansiedade infantil (e também com a dos adultos!).

 

Susana de Sá Fernandes

Psicóloga clínica

Mestre em avaliação psicológica

Doutoranda em neuropsicologia 

______________________________________________________________

Entretanto siga-nos pois procuramos criar mais em prol da saúde mental nacional.

   

 

  

 

 


Tags:

Partilhar


Comentários

Assine a Newsletter e junte-se a nós!

Ajude-nos a encaixar as peças!

Divulgue connosco

Divulgue aqui

Rede de Parceiros

  • InvoiceXpress
    ACEGIS
  • Freguesia de Mafamude e Vilar do Paraíso
    GoUpBuzZ.com
  • Mafalda Palolo
    Banco de Inovação Social