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A arte de educar pode ser mais simples, sem extremos

A arte de educar pode ser mais simples, sem extremos
10:42:17 29-07-2015 Sentido de Si Blogue

Descrição

Nas últimas décadas passamos do 80 para o 8 e do 8 para o 80 nalguns aspetos relativos à educação que os pais dão aos seus filhos.

Esta reflexão foi estimulada pela notícia Notícia de 25/07/2015, do OBSERVADOR, de autoria de Rita Ferreira.

Do 80 para o 8

Passamos de uma autoridade excessiva, com restrições exageradas e «castigos» não admissíveis na aplicação dos direitos das crianças, para um papel pouco firme quanto à aplicação da autoridade, ao incutir de regras e limites na educação dos nossos filhos, e porquê? Para «não traumatizar» referem a maioria dos pais, que parecem ter captado a «ideia» que «contrariar as crianças» lhe fazia mal psicologicamente. A relação pais/filhos no que concerne aos papeis dos elementos do agregado familiar e à hierarquia tem ser, sempre, ascendente, em que no topo estão os pais e em baixo estão os amados filhos. A autoridade para decidir, para ditar as regras quanto às dinâmicas familiares e sociais, quanto ao comportamento da criança, tem de ser dos pais, claro que, desejavelmente, a mesma deve acontecer de forma natural na relação entre todos. O educador fala, a criança ouve, compreende, acata e chegam ambos ao entendimento do comportamento desejado. Algumas vezes, este processo não é tranquilo pois a criança não ouve, não quer ouvir, protesta... pois é, porém o adulto deve fazer-se ouvir e ser capaz de captar a atenção da criança para que consiga explicar-lhe a «instrução» e o porquê da mesma, porque a autoridade também não deve ser algo como «Faz isto porque eu quero!». Porém, o «não» deve ser aplicado pelos pais quando estes avaliam correta esta necessidade, invariavelmente! Deve ser aplicado sem que haja o retirar desta instrução perante um «amuo» ou «protesto» da criança. A alteração das indicações/opiniões sobre a avaliação de determinado comportamento da criança, ou sobre determinado pedido da criança, cria a «ideia» de que o educador é inseguro nas suas decisões. Qual o problema? Esse educador  passa a ser «lido», de forma genérica pela criança, como uma pessoa insegura. Ora, uma pessoa insegura não é capaz de «dar» segurança... algo fundamental na vida das crianças. Portanto, acreditem que a segurança na forma como educam a vossa criança - e isso implica, por vezes, inflexibilidade na tomada de uma decisão, o não mudar de opinião face a um pedido não plausível, a não contradição entre educadores - é essencial para criar nela a ideia que são adultos seguros, firmes e constantes. O «não» não traumatiza, mas viver com adultos de referência afetiva inseguros e inconstantes prejudica o dinamismo psíquico dos filhos e pode torná-los mais vulneráveis do pouco de vista psicoemocional.

 

Do 8 para o 80 

Hoje em dia, em prol da evolução da sociedade e de todos os seus avanços (e recuos...) temos «medo» do que pode acontecer à nossa criança, ao ser humano que tanto amamos. Por esse motivo, o que acontece então? Tendemos a hiperproteger! Tendemos a retirar alguma da liberdade saudável ao comportamento da criança e esta mudança deu-se, nalguns casos, do 8 para o 80. Porque, desde um «pequeno» arranhão que pode infecionar e tornar-se num grave problema de saúde (sim, este pensamento, ou medo, existe!), à possibilidade de ser «abusado» por um adulto, ou ser vítima de bullying, etc., etc. ...  De certa forma, pela consciência dos efetivos «perigos» que as crianças podem estar sujeitas, é compreensível, a tendência de proteger, claro! Porém, não nos tornemos pais ansiosos, hiperpreocupados, em que nos substituímos em  (quase tudo)  à necessária ação das crianças. Essa ideia «de perigo» constante passa para as crianças, que, mais uma vez generalizam, e passam a ver o mundo como um perigo iminente. Sejam, tanto quanto possível, objetivos na avaliação dos reais perigos, e expliquem às vossas crianças a aplicação de determinados comportamentos protetores, quando estes são efetivamente necessários. Além disso, a castração de determinados comportamentos das crianças limita a estimulação cerebral das mesmas, as aprendizagens cognitivas e sociais necessárias. Tentemos ser equilibrados na privação de experiências às nossas crianças, deixem-nas subir uma árvore (não até ao topo, mas 1 ou 2 ramos...), deixem-nas andar de bicicleta no jardim (supervisionando de perto), sem estarem sempre a menos de 1 metro de distância, deixem-nas brincar com os pares e elas próprias resolverem os conflitos habituais e úteis para o desenvolvimento de mecanismos psicológicos como a autoregulação, a frustração, a tolerância, etc. Por exemplo, em Portugal, aos 13 anos mais de metade dos adolescentes andam de bicicleta sozinhos na rua e de transportes públicos sozinhos, sabia? Aos 15 anos quase metade dos pais permitem que os seus filhos saiam à noite. Já conhecia estes dados, tinha pensado sobre? Estes dados são do estudo “Mobilidade (in)dependente das crianças em Portugal" (2013 - FMH) realizado Faculdade de Motricidade Humana sobre a independência e a mobilidade da criança. De 16 países Portugal aparece em décimo lugar o que significa que temos um índice de mobilidade muito abaixo dos países do norte da Europa, ou seja, protegemos muito. Demais? Depende... cada criança e jovem é diferente, mas tentemos ser mais objetivos e menos ansiosos na adoção de nosso comportamento de educadores. 

Deixamos estas poucas palavras, pois sobre o assunto à tanto a dizer, mas leiam na íntegra a notícia referenciada e fiquem com a opinião fundamentada e de referência do Dr Carlos Netos.

Pensem e ajam, melhor. É sempre possível. Um educador faz o seu caminho caminhando melhor todos os dias ,pois a aprendizagem também é contínua se quisermos.

 

By Susana Sá Fernandes e Patrícia Martins


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