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CRISE NA IDENTIDADE DO TRATAMENTO DAS DOENÇAS MENTAIS...

CRISE NA IDENTIDADE DO TRATAMENTO DAS DOENÇAS MENTAIS...
20:43:55 19-07-2015 Sentido de Si Blogue

Descrição

"Apesar de tanto investimento financeiro na investigação das neurociências, a ciência farmacêutica não criou grandes novos psicofármacos, e tendo feito tão pouca investigação científica sobre psicoterapia. ... como psiquiatra, que adora a neurociência, acho esta tendência muito preocupante" - Richard A. Friedman 

Richard A. Friedman é professor de psiquiatria clínica, diretor da clínica de psicofarmacologia no Weill Cornell Medical College, em Nova York, e cronista nos conceituados jornais «The New York Times» e no «The Times».

Escreveu esta sua opinião na notícia de 17/07/2015, no «The New York Times. 

Ainda refere que "a psicoterapia tem demonstrado, num grande número de ensaios clínicos bem controlados, ser tão eficaz como a medicação psicotrópica para doenças psiquiátricas muito comuns, como a depressão e a ansiedade; em segundo lugar, a maioria dos pessoas preferem claramente a psicoterapia em relação à medicação".

Esta notícia vem destacar a discrepância entre a valorização, pelo menos por parte de alguns, da psicoterapia em relação à psicofarmacologia. Isto parece dever-se, por um lado, ao efetivo financiamento dos estudos das neurociências, apoiado em grande parte pelas empresas farmacêuticas, mas não só! Parece mesmo haver uma tendência de maior investimento por parte dos investigadores na área mais biológica e um investimento na validação do trabalho psicoterapêutico. 

Claro que o investimento na descoberta dos mecanismos bioquímicos e neurológicos das doenças mentais é fundamental. É necessário descobrir mais, e muito mais, sobre as enigmáticas causas das doenças mentais, para se criarem fármacos eficazes. Lembremo-nos da criação dos anti psicóticos típicos, ou neurolépticos, no final dos anos 50 do século passado, o que permitiu que muitas pessoas com psicose passassem a ter tratamento em ambulatório. Alguns anos mais tarde, cerca de 30 anos, surgiram os anti psicóticos atípicos, também denominados de segunda geração. Esta divisão está relacionada com seu mecanismo de ação - predominantemente bloqueio de recetores da dopamina (D) nos típicos, e bloqueio dos recetores dopaminérgicos e serotonérgicos (5HT) nos atípicos, o que acarreta um diferente perfil de efeitos colaterais, em geral melhor tolerados nestes últimos (Blin, 1999). Os anti psicóticos atípicos têm menos efeitos negativos o que é muito importante e permite um melhor adaptação do indivíduo aos seu dia-a-dia.

Conforme refere Richard A. Friedman, há ensaios clínicos que validam o papel importante da psicoterapia, existem terapias validadas cientificamente, e é fundamental que sejam aplicadas.

Realçamos duas  importantes ações do trabalho psicoterapêutico:

- como forma de promoção da saúde mental e prevenção do desenvolvimento de quadros psicopatalógicos mais graves;

- como forma de complemento ao tratamento psicofarmacológico, não o substituindo de todo nas patologia mais graves, mas potenciando o seu efeito;

- como parte integrante do trabalho de reabilitação psicossocial.

As doenças mentais são complexas e o seu tratamento beneficia com a face das duas moedas: psicofarmacologia e psicoterapia.

Cada uma destas formas de tratamento podem ser eficazes de forma independente, mas coadjuvadas são mais eficazes, a não ser no caso de ainda não instalação da doença, indicando-se aqui a psicoterapia, ou nos casos de doença mental grave em que a psicofarmacologia é crucial.

 

Retomando o título: «Crise na identidade de tratamento das doenças mentais?»

A evolução da ciência, do conhecimento é feito de «crises».

Nesta fase do conhecimento sobre o ser humano, graças ao meios complementares de diagnóstico, há uma sobrevalorização da necessidade do conhecimento biológico, e sim, este é necessário.

Deve-se contudo, ponderar que a balança deve equilibrar a necessidade de investir e aplicar um todo conhecimento adquirido até então no tratamento atual das pessoas.

Deve-se apostar na descoberta de novos tratamento mas também não descurar as pessoas atualmente doentes e apoiar o tratamento destas com o que há de melhor para esse efeito.

Há que apostar na promoção da saúde mental e desenvolver estudos que projetem novas formas de atuar a este nível.

 

Crónica by Susana de Sá Fernandes

SENTIDO DE SI? Explorar todas as formas de tratamento validadas para a doença mental e apostar na promoção da saúde mental

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