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Sou mãe... mas, por vezes, não sei de mim...

Sou mãe... mas, por vezes, não sei de mim...
11:40:47 13-05-2015 Sentido de Si

Descrição

Sou mãe e tenho amor pelo meu filho mas, por vezes, não sei de mim...

Faz cerca de 1 ano que Maria numa noite sai desesperada à rua e vai de porta em porta pedir dinheiro, porquê?

Porque, diz: 'Tenho o meu filho de 15 meses com febre em casa e preciso mesmo da sua ajuda. Tenho de comprar o medicamento mas não tenho dinheiro.'

Já por 8 casas Maria havia passado, batido, e 7 dessas casas haviam aberto a porta. Em só 3 lhe haviam dado dinheiro. A maioria sem questionar (mesmo estranhando a situação) e das 3 pessoas que deram dinheiro (Maria somara 3€) nenhuma fizera qualquer questão. Até que bateu à porta de alguém, que questionou: 'Mas a criança está sozinha? Porque precisa de ajuda?' 

Maria de forma espontânea respondera: 'O Martim está sozinho, deixei-o a dormir... - as lágrimas de Maria começam a cair, mas continua - 'o meu namorado deixou-me e o dinheiro que tinha já acabou e não quero dizer aos meus pais porque senão eles não me deixam cuidar dele... fui ao centro de saúde dar a vacina ao Martim e ele está a fazer febre e não tenho dinheiro para o medicamento para baixar a febre...'

A pessoa que ouvia estremeceu, mas prontamente respondeu a Maria: 'Vamos, vamos ter com o Martim porque ele precisa da nossa ajuda'.

Esta pessoa, de nome Irene, era formada em serviço social e a sua experiencia profissional fê-la reagir desta forma sensata com a Maria.

No caminho até à casa onde Maria vivia com o Martim, a técnica de serviço social conversou com a Maria e percebeu alguns dos contornos da situação que Maria vivia. Mal teve oportunidade ligou para o INEM e também ligou para os pais de Maria, que de imediato se dirigiram para o local onde o Martim estava.

Irene percebera então que Maria tinha 22 anos. Era mãe solteira, e com o 12° ano, estava desempregada e vivera com os pais até há cerca de duas semanas, altura em que saiu da casa dos pais para ir viver com o namorado, pai do Martim. Acontece que o casal havia-se desentendido e Maria ocultou isso dos pais e de todos. Mantinha-se sozinha com o filho porque senti-a que "algo não estava bem consigo" r receava que lhe tirassem o filho. Foi alimentando normalmente o Martim, pois era costume os pais darem-lhe alimentos semanalmente, mas o menino começara a fazer febre hoje devido à toma da vacina. Tudo isto Maria foi relatando com grande emoção e simultaneamente com um discurso com alterações do seu curso e alguma desorganização do seu pensamento.

Ao chegar ao local onde Martim estava, já se encontrando lá os pais da Maria, a policia e o INEM, Maria correu aflita procurando o filho. Ela e o menino foram socorridos pelo INEM pois ambos precisavam de ajuda!

Um dia depois os pais de Maria ligaram à técnica de serviço social a agradecer a sua atitude. Nessa altura contaram que Maria alguns meses antes de ter engravidado começou a apresentar sintomas de um problema de saúde mental, que estava em estudo. Que tinha abandonado a medicação sem o conhecimento deles e que estava, agora, internada. Martim estava com eles, que ficaram provisoriamente responsáveis pelos seus cuidados até o processo no ministério público, agora aberto, ter um desenlace.

Passado seis meses Maria voltou a bater à porta de Irene, a assistente social. Desta vez, acompanhada pela mãe e o Martim. 

Martim estava grande e com saúde. Maria, emocionada, mas desta vez com um humor eutimico e um discurso coerente e perfeitamente organizado, agradeceu a Irene a sua preciosa ajuda. Maria recuperara do seu problema de saúde psicológico. Medicada e a fazer psicoterapia já estava à procura de emprego. A mãe de Maria estava contente e serena, confiante na recuperação da filha.

 

Este excerto de um relato de uma vida é baseada numa história verídica. 

Relata preocupações possíveis na relação de uma mãe com um problema de saúde mental e com um filho pequeno.

É muito importante a rede de suporte para as pessoas com problemas de saúde mental, por todas as razões, nomeadamente para a melhor recuperação da pessoa com um problema de saúde psicológico, mas também para prevenir episódios como este, de desamparo e possível perigo para a pessoa doente, e para os outros. A psicoeducacação dos familiares das pessoas que desenvolvem um problema de saúde mental é fundamental.

Há muitas mães que padecem de um problema de saúde mental perfeitamente capazes do seu exercício de mãe, cada caso é um caso. Depende do tipo de problema de saúde mental em causa, de mais ou menos provável possível descompensação, e da gravidade dos contornos de comportamento em caso de descompensação. O fundamental é haver sempre alguém a quem a pessoa com um problema de saúde mental possa pedir ajuda, e desejavelmente, que apoie e esteja atenta a possíveis necessidades desta.

Já há programas de apoio a crianças e jovens filhos de pessoas com problemas de saúde mental que são muito úteis, desde para favorecer a compreensão do problema em causa e a para melhorar o relacionamento entre todos.

Os laços e os sentimentos entre as pessoas existem independentemente da saúde de cada um, ou de todos, seja ela do foro psicológico, ou de outro foro. Muitas vezes são os laços afectivos que apoiam o equilíbrio entre todos, porém, a menor saúde de alguém fragiliza essa pessoa e toda a família, daí a utilidade de apoios para alivio do stress, para educar para melhor cuidar e viver em comunhão.

No caso específico dos problemas de saúde mental, o desconhecimento e a estranheza face ao comportamento da pessoa doente é muito impactante para o desentendimento nas relações, por isso, é fundamental o apoio à pessoa com um problema de saúde mental integrar a família, ascendentes ou descendentes.

Sentido de Si? Ver o outro, falar com ele e oferecer ajuda. Pedir ajuda para cuidar de mim e depois cuidar de quem amamos.


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